Serviço Público: O desenvolvimento histórico, as suas características e o perfil do seu profissional

 

SERVIÇO PÚBLICO NO BRASIL: O DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO, AS SUAS CARACTERÍSTICAS E O PERFIL DO SEU PROFISSIONAL

 

 

                                                                                                           NOVAES, Rodrigo Oliveira[1]

OLIVEIRA, Roque Santos de[2]

 

                                                                        RESUMO

Este trabalho se destinou a pesquisar o serviço público no Brasil a partir da formação do Estado Brasileiro, traçando uma linha histórica e do seu desenvolvimento profissional, as suas características e as vantagens do ingresso nessa modalidade profissional.  O objetivo da pesquisa foi analisar o desenvolvimento histórico do serviço público e a complexidade da sua implementação pelo Estado. Foi empregada a metodologia da pesquisa bibliográfica qualitativa por melhor atender ao objeto da presente pesquisa. Os resultados demonstraram que o desenvolvimento histórico do serviço público, bem como, suas características resultantes de uma criação baseada em leis, normas e código de ética próprio o diferencia do serviço prestado pela iniciativa privada. São características que estão também, intimamente ligadas ao perfil profissional do servidor público.

 

Palavras-chave: Serviço Público; Servidor; Ética.

 

 

1 - INTRODUÇÃO

         O presente trabalho tem por objetivo traçar uma linha histórica e profissional do serviço público no Brasil desde a formação do Estado Brasileiro no século XIX, mostrando como se deu o seu desenvolvimento, a evolução do mercado de trabalho no setor, a definição do perfil profissional do servidor público e o estado da arte da profissão com suas lacunas e tendências analisadas pelos principais autores do tema.

    Adentraremos no tema Serviço Público explorando a visão histórica do seu desenvolvimento. A partir dessa abordagem será apresentado como se deu as atividades do setor do serviço público no Brasil desde o momento da colonização até ao que se encontra estabelecido na constituição de 1988, e também como passou a se dar a partir dela, com relação ao que esse tema estabelece.

         Serviço público deve ser entendido como toda atividade que o Estado exerça de forma direta ou indireta, tendo por finalidade a satisfação do interesse público como um todo, utilizando procedimentos ancorados no direito público.

         No Brasil, o serviço público que nasce com o início da colonização portuguesa na primeira metade do século XVI, de fato tem sua concretude efetivada com a independência do país da condição de colônia de Portugal, se transformando em império brasileiro em 1822.

         No entanto, quando historicamente a força de trabalho mobilizada pelo setor público brasileiro é estudada, nota-se que sempre se tratou de um mercado muito pequeno. Só a partir da industrialização e da modernização do país entre as décadas de 1930 e 1980, período em que a necessidade do oferecimento de serviços públicos para uma população que, com a chegada da indústria ao país deixa de ser predominantemente rural para se urbanizar de forma acelerada, é que esses serviços se tornaram cada vez mais imprescindíveis. Vindo assim, a justificar a expansão do emprego público com as suas principais características.

         A evolução do mercado de trabalho público tem como características principais a estabilidade, o oferecimento de diversas carreiras profissionais nos níveis federal, estadual e municipal e, atualmente tem recebido incremento a partir da introdução de novas tecnologias, principalmente pelos meios digitais, além de estar sofrendo ameaças da perda de estabilidade.

         Outra característica importante a ser destacada no serviço público é a adoção de um código de ética próprio com a finalidade de estabelecer um padrão que sirva de guia para a conduta de suas atividades. Trata-se de um conjunto de princípios assumidos publicamente, que orientam a carreira do servidor público de acordo com os anseios sociais por honestidade, solidariedade e correção.

          Em uma linha semelhante, aparece também a existência de um perfil profissional inerente ao servidor público que o difere do colaborador privado. O profissional da carreira pública tem um perfil voltado para o desenvolvimento de um conjunto de atribuições e responsabilidades muito ligadas a um servidor, bem mais do que a um colaborador que atue na iniciativa privada. Esse perfil confere as características essenciais que o define como servidor. São características criadas por leis que não são facilmente assimiladas por qualquer tipo de perfil profissional.

         Acerca da realidade atual do estado da arte na Administração Pública, essa revela uma recorrência de temas, dilemas e paradoxos e também uma constante busca de relevância e da aquisição de novos conhecimentos para solucionar problemas práticos.

         O objetivo geral pensado para a presente pesquisa foi o de ser entendido o desenvolvimento histórico do serviço público, a complexidade da sua implementação pelo Estado Nacional de acordo com sua característica e, da execução por parte do servidor público, tendo em vista os variados objetivos, finalidades e necessidades de sua implementação junto à população.        

         O presente artigo foi organizado em 4 itens, sendo que no item 1 é encontrada a introdução; o item 2 trata do desenvolvimento; o item 3 traz as considerações finais e, no item 4 são vistas as referencias.

 2 –  DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO SERVIÇO PÚBLICO NO BRASIL

        O serviço público no Brasil dá seus primeiros passos ainda na primeira metade do século XVI com a colonização portuguesa. Mas de fato tem início com a independência do país do domínio de Portugal, o que naquele momento transformou a nação brasileira em um império. É bem verdade que com a transferência do governo português para terras brasileiras em 1808, foram dados os primeiros passos para a formação do Estado Brasileiro, mas apenas com a declaração de independência de 1822 é que surge uma efetiva fundamentação de Estado.

         Na condição de colônia de Portugal, no Brasil já havia um vasto aparato administrativo e institucional, porém nada comparado ao avanço que foi dado com a chegada da família real para residir e administrar a coroa a partir do Brasil em 1808, como afirma Costa (2008).

     Quanto à criação de um serviço público no Brasil, o principal motivo de ter sido implementado já no inicio da colonização foi o fracasso da administração privada das capitanias. Assim, a partir de 1549 foi instituído pelo governo português o cargo de governador geral sediado na Bahia que, muito depois, já como vice-reino, foi transferido para o Rio de Janeiro.  

       Tratou-se de uma administração local com caráter geral que de acordo com Costa (2008), “A administração geral contemplava tanto a esfera propriamente administrativa quanto a judiciária, com sua complexa distribuição de encargos, sujeita a superposições e conflitos de competência” (p. 833).

         A independência do Brasil com relação a Portugal que ocorreu em sete de setembro de 1822, é de fato o momento em que o Estado Brasileiro dá o seu passo definitivo para a sua concretização. Logo após esse evento, D. Pedro I dissolveu a assembleia Constituinte e em 1824 outorgou a nova Carta Magna, instituindo mudanças importantes na forma da administração pública da nação, principalmente com relação às províncias.

        A partir da Independência, o serviço público no Brasil evoluiu de um modelo patrimonialista onde não havia muita distinção entre o que se tratava de bens públicos e de bens privados, para uma estrutura burocrática que, posteriormente se tornou gerencial. No entanto, entre a declaração de independência e a proclamação da república, o patrimonialismo ainda se manteve.

         A este respeito, Kehrig, citando Faoro, acerca do sistema patrimonialista oriundo do modelo português de administração pública, afirma que “A ideia de um Estado patrimonial está atrelada a uma ideia [...] que parte da guerra e amadurece no comércio com o príncipe senhor da espada e das trocas” (FAORO, 2001, p.33 apud KEHRIG, 2008).

         A partir da instalação da forma republicana de governo no Brasil, o país vem sofrendo transformações políticas e sociais que tem influenciado em sua forma de gerir os serviços públicos. O período conhecido como República Velha que finda ao final dos anos de 1930, é marcado por um modelo ditatorial e centralizado de governo e de administração pública que gerou inúmeros conflitos contrários e a favor dos governos.  Sobre isto, Kehrig (2008) é enfática ao afirmar que “A década de 20, do século passado, foi de muita instabilidade política no Brasil. Essa situação de certa forma havia perpassado todo o período da Republica Velha” (p. 102).

        Para Costa, o final do período da república velha ensejou mudanças importantes no país:

 

 

A República Velha durou cerca de 40 anos. Aos poucos, foi se tornando disfuncional ao Brasil que se transformava, pela diversificação da economia, pelo primeiro ciclo de industrialização, pela urbanização e pela organização política das camadas urbanas. O Brasil também estava mudado. Houve um relativo crescimento industrial, com as derivadas concentrações urbanas de uma população trabalhadora e seus familiares sobrevivendo em péssimas condições de vida (2008, p. 102).

 

 

          São mudanças que inevitavelmente trariam modificações importantes também para a administração pública brasileira.

          O governo totalitário de Vargas a partir de 1938 modifica o sistema de administração e do serviço públicos do Brasil pela adoção da modernização do serviço público nacional. Foi assim, criado o DASP (Departamento do Setor Público).

         É descrito por Kehrig (2008) que, “A criação do DASP foi o grande marco de introdução do modelo clássico ou racional-legal, como nova forma de Administração Pública, formada pelos princípios do tipo ideal de burocracia de Max Weber [...]” (2008, p. 109). Esses princípios são a impessoalidade, o formalismo, a ideia de carreira e a hierarquia funcional.

         Costa descreve que o DASP organizado em 1938, tinha a missão de definir e executar políticas para o pessoal civil, incluindo a admissão no serviço público mediante concurso, bem como a capacitação técnica do funcionalismo. Outro dos objetivos foi o de promover a racionalização de métodos no serviço público e elaborar o orçamento da União. O DASP, com o objetivo de adaptar as normas vindas do governo central às unidades federadas sob intervenção, tinha seções em todos os estados (2008, p. 845).

        Após o longo período de governo ditatorial militar com uma administração pública voltada para o fortalecimento do regime militar, chega a partir de 1985, a chamada Nova República, trazendo nova onda de modificações na administração pública. Costa (2008) reforça que no início desse período, “A reforma do Estado era uma das principais promessas da Nova República, que se traduzia em diversas bandeiras de luta que iam muito além do rearranjo administrativo [...]” (2008, p. 855).

        A partir da promulgação da Constituição de 1988, houve significativas mudanças no serviço público no sentido de apagar da população a percepção de que se tratava de um serviço ineficiente e gerador de privilégios. Essas mudanças ocorrem durante o governo Sarney. Kehrig (2008) descreve que para tanto, “O governo Sarney instituiu uma Comissão Geral do Plano de Reforma Administrativa” (2008, p. 120).

        Toda a década de 1980 foi de fato, emblemática para o Brasil que buscava estabilidade política e administrativa procurando distanciamento do período difícil de ditadura recente. A administração pública e seus serviços, naturalmente também sofreram essa influencia. O ciclo de crescimento econômico vivido nos anos de 1970 com maciça participação do setor público se esgotou. Principalmente com a ocorrência de forte crise cambial, como pontua Neto; Severian 2023.

        A partir da promulgação da chamada Constituição Cidadã, assim denominada por idealizar a diminuição da desigualdade, nas palavras de Neto; Severian, a nova Carta Magna:

 

[...] tinha como ideário a compreensão de que o país não poderia mais colocar como prioridade máxima o crescimento econômico sem que simultaneamente as gri­tantes desigualdades sociais e a pobreza não pudessem ser combatidas. O lema dos governos militares de “crescer para depois distribuir” deveria sair do cenário político-institucional em prol de uma agenda de desenvolvimento inclusivo (2023, p. 69).

 

         A missão constitucional brasileira passava a ser a de reparar a desigualdade social que inevitavelmente passa pela promoção de postos de trabalho, público e privado.

        O nível de emprego público no Brasil teve aumento significativo no país a partir de 1988 com a promulgação da nova Constituição. Números do IPEA citados por Neto; Severian (2023) dão conta de que essa expansão ocorre em níveis bastante acentuados:

 

De início, verifica-se a recomposição da força de trabalho no setor público brasileiro pela duplicação de patamar entre 1985 e 2019, passando de 4,8 milhões para 10,9 milhões, com um acréscimo líquido total de 4,9 milhões de novos empregos (p. 71).

 

         Houve, de fato, uma importante distribuição do serviço público no Brasil, porém de forma diferente entre os entes federativos, tendo a esfera federativa apresentado uma tendência de estabilização.

         A esfera municipal, ao contrario foi beneficiada, passando mesmo o ente estadual que antes predominava, para assim conseguir dar conta de atender a crescente responsabilidade pela execução de ações coordenadas das políticas de saúde e da educação básica, tendo que aumentar “[...] as contratações de mão de obra para atender aos novos requisitos constitucionais que lhes foram atribuídos” (Neto; Severian 2023, p. 73).

          No entanto, o que se verifica quanto ao aumento do emprego público no país é que com a crise institucional do pós 2015 o sistema de governo em suas três esferas sofreu importantes restrições quanto à geração de postos de serviço público.

 

2.1– MERCADO DE TRABALHO DO SERVIÇO PÚBLICO NO BRASIL

 

     O mercado de trabalho do setor público se caracteriza principalmente por sua estabilidade, apesar de sua elasticidade de oferta ser reduzida. Assim, para Marconi:

 

A participação do emprego público no emprego total da economia é relativamente estável e, ao que tudo indica, contracíclica, isto é, há um crescimento da mesma (ainda que modesto) quando o nível de atividade se reduz, porque o emprego público é menos sensível, no curto prazo, às oscilações das taxas de crescimento econômico. Dito de outra forma, a elasticidade da oferta de serviços públicos em relação ao nível de atividade é bastante reduzida (MARCONI 1997, p. 126).

 

         Mesmo que haja uma desestabilização econômica que derrube o nível de emprego do setor privado, o setor público mantém por mais tempo seus empregos, o que é fator de incentivo ao acesso a esse setor.

        Uma característica importante no que diz respeito às exigências para o ingresso no mercado de trabalho público é que esse setor demanda mão de obra de pessoas mais qualificadas do que a iniciativa privada. Um número significante da mão de obra empregada no estado de São Paulo no setor privado, por exemplo, é formado por pessoas que não concluíram o segundo grau enquanto que no serviço público federal no mesmo estado, o servidor público, predominantemente possui ensino superior completo. Mais um diferencial importante do setor público com relação ao setor privado.

        É notado que o atual sistema de carreiras na administração pública do Brasil tem apresentado significativas diferenças com relação ao modelo adotado pelo setor privado. O modelo privado tem dado preferência à contratação de pessoas com um leque maior de conhecimentos e em condições de desempenhar funções mais abrangentes e que se adaptem às mais variadas necessidades de mobilidade da organização. Uma tendência que pode ser conferida no trabalho de Marconi (1997, p. 131).

         Quanto à distribuição dos postos de trabalho do setor público no país, a predominância é dos municípios. Números do IPEA mostram que em 2019, a maior quantidade de servidores públicos do Brasil se concentrava nas pequenas cidades com até 50 mil habitantes, perfazendo um total de 46% do total nacional. Esta foi tendência a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988.

        De acordo com Neto; Severian (2023), “[...] a demanda por servidores municipais no Brasil pós-CF/1988 se dirigiu menos para as metrópoles e cidades com mais de 500 mil habitantes, cuja parcela conjunta foi reduzida de 24,7% para 17,6% do total nacional entre 1986 e 2019; [...]” (p. 85).

         Quanto à classificação do serviço público, a doutrina administrativa do serviço público no Brasil adota diferentes normas para isto com base em critérios que englobam o titular do serviço, o objeto, os destinatários, a obrigatoriedade de utilização e a forma de execução. A esse respeito, Alves discorre:

 

Os serviços próprios são aqueles prestados pelo Estado, incluindo os serviços públicos exclusivos do Estado, que não admitem delegação a terceiros, exercendo o Estado a titularidade do serviço e da prestação; os serviços privativos do Estado, nos quais o Estado mantém a titularidade do serviço, mas permite a execução indireta, ou seja, terceiros detém a titularidade da prestação; e, os serviços prestados pelo Estado, em decorrência de seu dever constitucional, que admitem a prestação por terceiros independente de concessão ou permissão, ou seja, mediante autorização, como exemplo citamos a educação, a saúde, a previdência social e a assistência social (SERVIÇOS PÚBLICOS, p. 15).

 

 

          Assim é visto também que, os serviços que são de obrigação do Estado prestados pela esfera particular mediante autorização e fiscalização do Poder Público são classificados como Serviços Públicos Impróprios por atender ao coletivo.

         Citando Meirelles acerca dos serviços públicos, Alves assevera que “Os serviços próprios, segundo o autor, são exercidos pela Administração direta e referem-se a serviços essenciais, não passíveis de delegação, por exemplo, segurança, polícia, higiene e saúde pública” (MEIRELLES 2013 p. 318, apud ALVES).

       No que se refere ao mercado de trabalho do serviço público, além da estabilidade, a sua importância diz respeito também à questão dos salários. Esse item tem participação bastante razoável no tocante à ordem fiscal do Estado com relação à receita disponível. Por esta perspectiva, Marconi (1997) afirma que, “Como a evolução dos salários guarda estreita correlação com a dos gastos com pessoal, pode-se afirmar que as variações das remunerações devem se comportar de forma próxima às observadas para a receita” (p. 134).

        Daí conclui-se que o salário pago pelo serviço público terá sempre estreita relação com a política de contenção ou de expansão de gastos públicos.

         Fica claro, dentre outros detalhes importantes que mercado de trabalho do serviço público se notabiliza principalmente pela estabilidade, mão de obra mais qualificada do que na iniciativa privada e normas que definem a divisão das suas atividades.

 

2.2 -  ÉTICA E RESPONSABILIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO

 

         Por ser o serviço público um instituto jurídico que é regido por normas e princípios visando estabelecer direitos e obrigações, tanto para o usuário do serviço como para o prestador, com o intuito de proteger o usuário e o consumidor e manter a qualidade e eficiência na prestação do serviço à coletividade, naturalmente cobra também do servidor público ética e responsabilidade inerentes a esse serviço.

        Um Código de Ética pode ser dito que se trata de um padrão que tem por finalidade guiar a conduta de um determinado grupo de atividade. “É um conjunto de princípios, assumidos publicamente, que orientam determinadas atividades, de acordo com os anseios sociais por honestidade, solidariedade e correção” (ENAP 2014, p. 11).

        O serviço público adota um código de ética próprio com a finalidade de estabelecer um padrão que funciona como guia para a conduta das suas atividades e consequentemente, dos seus servidores. Trata-se de um conjunto de princípios assumidos publicamente que orientam a carreira do servidor público de acordo com os anseios sociais por honestidade, solidariedade e correção.

       Assim, o Código de Ética do Servidor público, então, define que:

 

I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos (BRASIL 2023, p 3).

 

 

         O que demonstra principalmente, uma preocupação clara com a honra e com a tradição dos serviços prestados pelo Estado.

         Na Seção III do mesmo código, onde constam as Vedações ao Servidor Público é visto que, “XV - É vedado ao servidor público; a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem; [...]” (BRASIL 2023, p.).

         A esse respeito, ENAP (2014) pontua que “A conduta ética do servidor público não é apenas uma questão de comportar-se de acordo com o que é permitido. O essencial da conduta é a orientação interna que ele dá a suas ações” (p. 6).

        Ética no serviço público não cobra apenas uma orientação interna no serviço prestado pelo servidor, mas também cobra do próprio serviço público que se paute por uma ética própria. Dado que um código próprio em cada atividade tenta capturar aspectos que escapem à legislação e ao legislador, pois de acordo com ENAP (2014), “[...] pode-se cumprir perfeitamente a lei e, ainda assim, prejudicar alguém” (p. 11).

        Exige-se A ética no serviço público porque a sociedade, não apenas deseja o cumprimento da lei, mas também que esse bom cumprimento ocorra com ética.

 

2.3 - O PERFIL PROFISSIONAL DE UM SERVIDOR PÚBLICO

                

         O perfil profissional inerente ao servidor público o difere do colaborador privado. Pois o profissional da carreira pública tem um perfil voltado para o desenvolvimento de um conjunto de atribuições e responsabilidades ligadas ao serviço público que, por força da atividade pública, é diverso do trabalhador que atue na iniciativa privada. Esse perfil é conferido principalmente pelo conjunto de leis, normas e pelo próprio código de ética que rege a profissão de servidor público.

         Quanto à afirmação de que o perfil do servidor público é influenciado também pela legislação pertinente, é importante que seja observado os dispositivos da lei do serviço do público federal do Brasil, por exemplo, a esse respeito. Trata-se da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Esta lei dispõe sobre o regime jurídico que rege os servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas, definindo normas de contratação, estágio probatório, direitos, deveres, licenças e regime disciplinar. Condiciona o servidor público a um perfil profissional próprio do serviço público. 

        Um perfil próprio do servidor público se justifica até pela rigidez do modelo de administração da modalidade. Quanto a esse modelo mais rígido, é afirmado por Marconi (1997) que “Na administração pública federal, a estrutura é muito mais rígida. Os cargos foram desenhados com atribuições muito específicas, [...]” (p. 7). Até porque os servidores que são contratados para desempenharem determinada função não podem ser deslocados para outras, sob pena de os administradores cometerem uma inconstitucionalidade.

        A este respeito, a Seção I do artigo 36 da Lei 8.112/90 trata da remoção do servidor público em um artigo específico. “[...] Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede” (1990).

         Neste sentido, Alves afirma que, “Todas as precauções, cautelas e segurança esperada pelo usuário-consumidor é exigida do prestador de serviço público e do servidor, inclusive em face da responsabilidade objetiva do Estado [...]” (p. 28).

        Todas as informações contidas neste item reforçam a necessidade da existência de um perfil profissional do servidor público, próprio e bastante exclusivo do setor público.

 2.4 - O ESTADO DA ARTE, OS DESAFIOS E TENDÊNCIAS DO SERVIÇO PÚBLICO E DE SEUS SERVIDORES

         O Estado da Arte da Administração Pública em nosso país revela uma recorrência de temas, dilemas e paradoxos em uma constante busca de relevância e da aquisição de novos conhecimentos que possam solucionar problemas práticos.

         Assim, o estado da arte do serviço público no Brasil tem focado numa transição do ultrapassado modelo burocrático para um modelo gerencial, onde é enfatizada a governança, a digitalização, a avaliação de impacto e uma gestão de pessoal com base em competências. No entanto, esse modelo não é posto sem critérios ou sem a observação do desenvolvimento histórico ou abrindo mãos da relevante contribuição acadêmica.

         Motta (2013) afirma a este respeito que, “O olhar histórico facilita a compreensão da validade e a relevância do saber administrativo, pois, muitas vezes, só a sua aplicação delimita seus aspectos positivos ou negativos” (p. 82). Pode ser percebido neste contexto, um histórico de ensaios, acertos, erros e promessas de novas abordagens.

         A sociedade anseia da Administração Pública o atendimento de suas demandas sociais feito da melhor forma possível com uso eficiente de recursos e, transparência dos atos. Paralelo a isso:

 

 

[...], o meio acadêmico, no anseio por oferecer diferentes e melhores alternativas, desenvolve propostas teóricas distintas, que, por vezes, rompem completamente com o passado ou representam práticas antigas com diferentes roupagens. [...]. Por causa de um crescente dinamismo, novos problemas pressionam para novas soluções (MOTTA 2013, p. 82).

 

 

        Os desafios inerentes ao contexto atual do estado da arte da administração pública relativo ao oferecimento de um serviço público com a qualidade exigida pela sociedade, não pode abrir mãos da contribuição do aprendizado legado pela história e nem da contribuição acadêmica.

        Um aspecto também importante acerca do serviço público é que ao contrário do que ocorre na iniciativa privada, a área pública está sujeita a normas fixadas em leis e decretos que não podem ser imediatamente alteradas. E que para sofrerem alterações “[...] dependem de novos consensos políticos para introduzir novidades. A Administração Pública carrega dificuldades para resolver com rapidez problemas da comunidade [...]” (MOTTA 2013, p. 8).

        Assim, tentar inserir a chamada eficiência privada imaginando uma rápida possibilidade de êxito no serviço público como ocorre na iniciativa privada, resulta quase sempre em fracasso.

        No entanto, o estado da arte do serviço público busca saídas para se ver livre do gessamento administrativo apenas burocrático. Pois em algumas áreas do setor público brasileiro ainda é vista a Gestão de Pessoal (GP), por exemplo, sendo tratada de uma forma tradicional e, a partir de um visão que apenas atende questões legais e operacionais.

        Porém, a sociedade espera da Administração Pública um “[...] melhor atendimento de suas demandas sociais, pelo uso eficiente de recursos e transparência dos seus atos” (MOTTA 2013, apud JUNIOR et. al 2022, p. 4766).

         Assim, de acordo com Junior et. al (2022), no atual contexto do serviço público “[...] as instituições públicas repensam a maneira pela qual realizam suas atividades, dentre as quais a forma como gerenciam seus recursos humanos (RH) [...]” (p. 4767).

         Conclui-se que o estado da arte de um setor público que já passou por importantes experiências históricas, por esse motivo, vem aprofundando transformações visando alcançar significativas melhorias em seus atendimentos ao público, adotando estratégias orientadas para resultados.

 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

         Este Trabalho teve o propósito de aprofundar os conhecimentos acerca de um tema com a importância que tem o Serviço Público com suas características peculiares, além da atuação do profissional servidor público.

          Ao longo do tempo histórico, as relações formadas entre o Estado Nacional Moderno desde a sua fundação, e a sociedade, sempre foi mediado pelo Serviço Público e pela atuação do funcionalismo na pessoa do seu servidor na busca por entregar à população um serviço de excelência. Esse serviço foi passando por modalidades distintas e assim, ocupando espaço de relevante importância.

          No Brasil, o serviço Público passa a assumir importância relevante a partir da formação do Estado Brasileiro com a independência do país. Sua evolução vai acontecendo historicamente passando do modelo patrimonialista para o burocrático até chegar ao atual modelo gerencial. Essa evolução propiciou estabilidade, o oferecimento de diversas carreiras profissionais em todos os níveis federal, estadual e municipal e a introdução de novas tecnologias, principalmente pelos meios digitais.

         O Serviço Público demanda um tipo específica de profissional que tenha um perfil capaz de se adaptar às exigências do conjunto de leis, normas e do código ético que são os formadores do setor desse serviço.

         Notadamente, o Serviço Público apresenta maior absorção de mão de obra no âmbito dos municípios, Principalmente por ser onde as políticas públicas de educação e saúde são mais aplicadas. Fato ocorrido a partir da promulgação da Constituição de 1988.

          A realidade atual da Administração Pública apresenta uma recorrência de temas, dilemas e paradoxos e uma constante busca de relevância com aquisição de novos conhecimentos que solucione os problemas de ordem práticas que lhe cheguem levados pela população.

         Sem novos conhecimentos e a inevitável utilização dos atuais conhecimentos acadêmicos, além das novas tecnologias digitais, nesse sentido, O Serviço Público não estará apto a propiciar o serviço de qualidade demandado pela sociedade.

 

REFERÊNCIAS

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[1]Graduando em Gestão Pública pela Faculdade FOCUS. Universidade Católica do Paraná (2022). Mestre Técnico em TI. Formação Técnica em Gerenciamento de Som. Funcionário Publico.  Assessor Junto ao Secretário Municipal de Saúde na Secretaria Municipal de Saúde de Barra do Mendes-Ba.

[2]Graduado em Pedagogia. Graduado em Teologia. MBA em Ciências Política. Especialização em Gestão Ambiental. Especialização em Filosofia e Sociologia. Especialização em Metodologia do Ensino de Língua Inglesa. Mestrado e Doutorado em Teologia Histórico Crítica. Técnico em Agroecologia Semi árido. Militar RR da Polícia Militar do Estado da Bahia.

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