SISTEMAS E FORMAS DE GOVERNOS
SISTEMAS
E FORMAS DE GOVERNOS
Roque Santos de oliveira
Texto a partir da publicação de “Politize”
de 05 de maio de 2017.
O debate que envolve os sistemas e as formas
de governo se renova constantemente no cenário político brasileiro. Para
muitos, o Brasil deveria abandonar a república e o sistema presidencialista,
para dar espaço ao parlamentarismo e/ou a monarquia.
Mas, nós sabemos o que é sistema de governo e
o que é forma de governo?
SISTEMAS
DE GOVERNO
Um sistema de governo é a forma como o poder político
de um país é dividido e exercido. Basicamente, esses sistemas variam de acordo
com a relação e a
distribuição
de funções entre os poderes Executivo e Legislativo. Em alguns países, o
Executivo é totalmente dependente do Legislativo. São sistemas de governo o
parlamentarismo, o presidencialismo e o semipresidencialismo.
FORMAS
DE GOVERNO
É muito importante não confundir sistemas de
governo com as formas de governo. Apesar de serem termos semelhantes, eles se
referem a coisas diferentes. As formas de governo têm relação com a fonte do
poder dos governantes de um país. Duas formas de governo ainda predominantes
hoje são a monarquia, na qual o chefe de Estado é um monarca que se mantém no cargo
vitaliciamente, e a república, em que o poder emana, em tese, do povo.
Não podemos apenas acreditar que a simples
aplicação de um sistema ou de uma forma de governo diferentes dos nossos no
Brasil, bastaria para que tudo passe a funcionar melhor por aqui. É preciso ter
em mente que, apesar das categorizações,
cada
país possui sua própria trajetória política, o que gerou distintas formas de
governar. Por isso, mesmo países que estão dentro de uma mesma categoria
de
sistema e forma de governo podem apresentar diferenças entre si.
Apesar de parecer a mesma coisa, sistemas e
formas de governo são coisas diferentes: o sistema é a maneira como o poder
político é dividido e exercido dentro do Estado, principalmente entre os
poderes Executivo e Legislativo; a forma de governo é a maneira como se dá a
relação entre governantes e governados.
Existem
duas formas de governo clássicas, que você com certeza já ouviu falar:
monarquia e república.
Mas, como passamos da monarquia para a
república no Brasil, no ano de 1889? Vamos por parte!
MONARQUIA
Essa
forma de governo é bastante antiga. Nela, o chefe de Estado é um monarca, que é
chamado de rei/rainha, imperador/imperatriz, dentre outros títulos. Uma característica
típica da monarquia é que o cargo do rei é hereditário, passando de geração a
geração dentro de uma mesma família, e vitalício, ou seja, o rei detém o seu
título até a morte.
Em
um passado distante, era comum os reis e imperadores possuírem poderes absolutos.
Eram o que chamamos de monarquias absolutistas, aquelas em que a vontade do rei
é soberana. A importância do rei ou imperador era tanta que se confundia com o próprio
Estado. “O Estado sou eu”, disse uma vez o rei da França Luís XIV (1643-1715),
resumindo bem o modelo de governo das monarquias absolutistas.
Outra característica desses regimes era a
ausência de uma constituição, porque elas poderiam impor limites ao regime do
monarca. Hoje em dia, porém, é raro encontrar monarcas com poderes absolutos.
As monarquias que sobreviveram
ao
tempo são quase todas constitucionais, em que o rei não mais detém todo o poder
político. Na verdade, como veremos no capítulo sobre o parlamentarismo pouco
têm a ver com aquela imagem de tiranos que vemos em muitos filmes que se passam
na Idade Média.
O rei continua como chefe de Estado, mas seu
poder político foi reduzido significativamente, passando a ter uma importância
apenas simbólica. O rei representa a unidade nacional.
REPÚBLICA
Como você pode imaginar, uma república não
possui um monarca, afinal, se fosse assim, não haveria motivos para não chamá-la
de monarquia. Mas se não há um
líder
vitalício que transfere seus poderes para seus herdeiros, quem assume seu
lugar?
Na república, o cargo que costumava ser
exercido por um rei passa a ser exercido por uma pessoa escolhida diretamente
pelo povo, geralmente chamado de presidente ( às vezes também de
primeiro-ministro, no caso de repúblicas parlamentaristas). Normalmente, o
presidente é, ao mesmo tempo, o chefe de Estado e o chefe de governo, exceto
nas repúblicas parlamentaristas. O seu tempo no poder costuma ser curto e muito
bem definido. Ele também não tem como transferir seu cargo para uma pessoa de
sua família ou de seus círculos. Além disso, é na república em que estão mais
claramente divididos os poderes Executivo e Legislativo, que são exercidos
respectivamente pelo presidente e por um grupo de representantes do povo,
chamados de deputados ou senadores. O presidente deve executar os planos do
governo, enquanto o cargo de elaborar e analisar novas propostas de leis recai sobre
o Poder Legislativo. Também existem registros de repúblicas antigas, como as de
cidades da Grécia antiga e de Roma. Mas
elas tinham estruturas muito menores do que as repúblicas modernas. Estas
começaram a aparecer no século XVIII, com o trabalho de filósofos como
Voltaire, Rousseau e Montesquieu, e com as revoluções americana e francesa, que
acabaram por espalhar o ideal republicano mundo afora. No Brasil, tivemos um
período de monarquia entre 1822, ano da nossa independência, e 1889, quando foi
proclamada a república. Essa é a forma de governo adotada até hoje no país.
Resumindo:
a monarquia se caracteriza pela existência de um chefe de Estado cujo cargo é
vitalício e hereditário. Ele pode ser o chefe supremo do país, em monarquias absolutas
(mas essas praticamente não existem mais), ou pode ser um líder simbólico,
como
acontece na maioria das monarquias que ainda existem (monarquias
constitucionais). Por outro lado, a república rejeita a figura do rei. O chefe
de Estado é escolhido pelo voto popular, cuja vontade é considerada soberana.
Esse chefe de Estado costuma ser também o chefe do governo, mas seu mandato tem
prazo delimitado e seu sucessor também deve ser escolhido pelo voto popular.
Em suma, na monarquia, o chefe do poder e o
Estado são representados por uma única figura. A figura do monarca.
O texto acima foi extraído de mais um excelente trabalho da rede Politize. A rede Politize é uma rede de pessoas e organizações comprometidas com a ideia de levar educação política para cidadãos de todo o Brasil. Essa rede acredita que a tecnologia é uma grande aliada na difusão de conhecimento e que pode fazer a diferença proporcionando conteúdo educativo sobre política de forma fácil, divertida e sem vinculações político-partidárias.
ResponderExcluirCom certeza, se sabermos usar a tecnologia para crescermos como verdadeiros cidadãos teremos uma ótima evolução na educação. Parabéns, pelo trabalho!
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