O MUNDO DESCONHECIDO EM QUE SÃO EDUCADAS AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
De: ISABEL LACERDA


Por que meus vizinhos Testemunhas de Jeová não me saúdam?
Por: Roque Santos de Oliveira – Teólogo

     Em estudo acerca das religiões na disciplina “Seitas e Heresias” no curso de graduação em Teologia, em  uma pesquisa feita acerca da seita Testemunhas de Jeová, deparei-me com uma matéria na edição número 447 de 28 de novembro de 2012 na revista portuguesa “Sábado”, que muito me chamou a atenção por desnudar a realidade vivida pelos membros desta seita. Conservei a pesquisa na íntegra para posteriores consultas, e no momento, ao me deparar com um acontecimento recente ocorrido com alguém integrante da mesma seita e que conviveu em nossa cidade, ocorrência com desfecho fatal, por sinal, alguns pontos da reportagem me veio à mente e mesmo relutante, decidi publicar trechos da referida edição que utilizei na pesquisa. Até mesmo por considerar excessivamente perigosa a forma de praticar religião vista a partir do olhar de tal seita. Quero lembrar que muitos dos termos utilizados podem não se encontrar como comumente usamos no português falado aqui no Brasil por se tratar de uma revista de Portugal.
   A reportagem da revista Sábado na sua reportagem que é de capa, acerca da educação ministrada as Testemunhas de Jeová, tem início com a afirmação de que todos os crentes desde cedo esperam pelo fim do mundo. A reportagem afirma que: “Todos os crentes são habituados a esperar pelo fim do mundo desde crianças. A essa permanente angústia, os miúdos juntam as várias coisas que estão impedidos de fazer na escola e o pavor de ofender Jeová” (SÁBADO 2012, p. 38).
    Naquilo que diz respeito às proibições, dentre elas estão, comemorar aniversários, Carnaval, Páscoa, Natal, fim de ano e todas as festas que são consideradas pela seita, como de origem pagã. Essas proibições se justificam para a seita porque não são citadas nas escrituras.
     A partir de pessoas que abandonaram a seita ou que foram expulsas, a revista traçou o trabalho de reportagem da edição aqui citada. Algumas das pessoas entrevistadas falam do seu desespero durante festas de aniversários comemoradas na escola onde estudaram quando crianças, temendo cantar parabéns aos coleguinhas, por medo de serem “destruídas”, como afirmam. Uma dessas entrevistadas relata que, “Na primária (escola), fingia que cantava os parabéns aos colegas. Ainda assim temia ser destruída”.
       A entrevistada conta que após ser expulsa da seita Testemunhas de Jeová, passou a comemorar todos os seus aniversários. Diz que, “Faço questão de ter sempre um grande bolo. São 30 anos? Sopro 30 velas”.
       As Testemunhas de Jeová se consideram politicamente neutras. Portanto, não votam. Se residem em um país onde o voto é obrigatório, são incentivadas a votarem em branco ou nulo. Também, não saúdam a bandeira ou cantam o hino nacional. Uma das entrevistadas pela revista diz que, “Lembro-me bem: no 3º ano, todos de pé a aprender o hino e eu super nervosa só a mexer a boca”. Por este mesmo caminho segue aquilo a que diz respeito aos  esportes de modo geral que sejam de alto rendimento, como lutas marciais e futebol, por exemplo.
     A seita não permite que seus membros tenham amizades com pessoas “mundanas”, aqueles que não são associados, ainda que façam parte da família. O casamento só é permitido entre pessoas que pertençam à seita. Mesmo assim,  ter filhos é desaconselhado pelos “anciãos”. A explicação é que “por um lado são grandes consumidores de tempo; por outro, não é aconselhável pôr crianças num mundo que vai acabar”.
      Um dos entrevistados afirma que só teve coragem para desobedecer essa determinação quanto a ter filhos, dez anos após casar-se, quando a esposa começou a se sentir deprimida temendo não mais ser possível engravidar. Ele afirma que, “Os casais que decidem ter filhos são criticados pelos outros que optam por não ter em virtude das orientações da organização”.
      No leque de conceitos interessantes vistos nas informações passadas por dissidentes da seita, poderia se elencar inumeráveis fatos. No presente texto, dentre outras coisas, é buscado  mostrar a razão por que os nossos vizinhos Testemunhas de Jeová não nos cumprimentam ou procuram fazer amizades conosco, mundanos comuns. A amizade com não associados é simplesmente proibida. Expressa assim esta verdade, uma das pessoas ex-associadas, relatando recomendações dos anciãos: “Um simples “Oi” dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para uma amizade. Queremos dar esse primeiro passo com alguém desassociado?” Conta o entrevistado que essa é uma das orientações que recebia dos líderes. Acrescenta que é comum ouvir, por exemplo: “Tome sua posição contra o diabo (...). Não procure desculpa para se associar com um membro da família desassociado, como, por exemplo, trocando emails”.
       Ao ser expulso da associação, automaticamente a pessoa estará fora do convívio familiar e dos amigos. Não poderão mais ser recebidos em casa dos pais. Fora da associação, esses ex-membros dificilmente conseguem fazer amizades. Assim, estarão isolados. Uma grande maioria deles ao saírem da associação, acabam por conta do isolamento social, entrando em depressão e não raro, tentando o suicídio.
      Para buscar ajudar aos dissidentes, existem fóruns de ajudas via internet. O Brasil é um dos países que possuem tais sites. Conta um dissidente entrevistado que a associação desaconselha incessantemente que seus membros consultem esses fóruns. Ele acessou o site e por isso foi expulso. Percebeu que haviam inúmeras incongruências nas afirmações da seita, principalmente no que diz respeito à transfusão de sangue. A própria revista Sábado afirma que esta proibição já provocou a morte, “a um número incalculável de crentes”.  As Testemunhas de Jeová tomam por base a passagem bíblica da Gênesis 9:4, para proibir a transfusão de sangue dos seus associados.
       Como já mencionado anteriormente, não é pretensão deste texto esgotar o assunto proposto pela edição da revista. Mas, lembrar da série de absurdos considerados como normais aos associados Testemunhas de Jeová, tais como até mesmo a recomendação de não frequentar um curso superior, ou a determinação de não receber uma promoção no serviço, tudo em nome da dedicação espiritual. Mesmo os casos de assédios e abusos sexuais ocorridos entre os associados, deverão ser informados aos superiores da seita e não às autoridades competentes.
       A intenção neste texto, não foi de desacreditar ou diminuir seitas e religiões quaisquer. Mas, de apenas servir de fonte de pesquisa ao enriquecimento do conhecimento de todos sobre as mais variadas formas que existem, de ser tratada a fé humana.

FONTE:
IZABEL LACERDA. Como é o mundo das Testemunhas de Jeová: Revista SÁBADO, edição 447, novembro de 2012.
Disponível em:<WWW.sabado.pt>
    


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