VAI UM SAPATINHO DE CRISTAL, AÍ?

      Lendo um dia, um louco chamado Fukuyama, o aplaudi na minha inocência, por ele dizer que, “O homem não é apenas um animal econômico, um animal que produz riquezas, mas é também um ser que luta por reconhecimento. Esse desejo de reconhecimento leva os homens à luta por prestígio e a reivindicarem para si valor e dignidade”. Na verdade o aplaudi por completa ignorância mesmo. Porém, hoje diante dos acontecimentos e contexto político nos impostos no Brasil, pelos políticos profissionais que vivem em seus confortáveis mundos fictícios, me recinto de não ter observado melhor, o louco do cientista político Fukuyama.
      Em suas reflexões existe lugar para considerações acerca daquilo que poderia ser considerada democracia; local por onde nossos políticos passam ao largo. Ou que em uma observação mais atenta, o que os nossos políticos chama de democracia, pode se dizer que pouco tem a ver com o que o autor pareceu querer exemplificar. Acredita ele que, “De todos os regimes políticos surgidos na história humana, das teocracias religiosas da Antiguidade até as ditaduras fascistas e comunistas do século passado, a democracia liberal foi o modelo que se manteve mais intacto e emergiu vitorioso por ter como elemento-chave a noção de soberania popular em contraposição às pretensões universalistas e totalitárias das demais ideologias”. Para apurar tal observação, tive que recorrer ao historiador Bertone Sousa em sua releitura sobre a obra de Fukuyama, diante da minha total inépcia para fazê-lo.
        É claro que, tendo eu lido todo o trabalho neste sentido, pude ter uma visão holística (ou ao menos deveria ter tido) do pensamento do autor, ainda que ao meu modo tupiniquim. No entanto, em nosso país, a ideia de democracia vigente vem deixando para nós a mesma ideia que temos sobre o conto do sapatinho de cristal, única coisa que não retorna à antiga realidade após a meia noite e fim da mágica.
        O obstáculo que existe para o povo, entre aquilo que é democracia liberal no Brasil e democracia econômica, beira a fantasia da história da abóbora que se transforma em carruagem e em abóbora outra vez. E, em abóbora podre. Quando o autor determina que, “A relação entre democracia liberal e desenvolvimento econômico decorre do fato de que a industrialização produz sociedades de classe média, mais exigentes em termos de participação política e igualdade de direitos. A classe média, por sua vez, é resultado da universalização da educação. Em sociedades liberais, a educação tem um viés emancipatório na medida em que leva as pessoas a questionarem preconceitos sociais e formas tradicionais de autoridade”. Mas, quem é que tem recebido essa tal de educação emancipatória em nosso país? Em nem um momento percebe-se a inclusão daqueles que utilizam à abóbora transformada em carruagem, com tempo de validade determinado, para visitar em noites de festins, os palácios fictícios dos nossos políticos. Mas, sabemos que o tempo da abóbora transmutado em carruagem tem a duração de um “CONFIRMA”, após a “escolha” de um candidato em um pleito eletivo.
          Quando a esperança me chega por ver Fukuyama defender o caminho possível de libertação pela educação, ao dizer que, “A educação [...] é responsável por instigar nas pessoas aquele desejo de reconhecimento [...]. Ela o faz na medida em que leva os indivíduos a terem mais consciência de seu papel como cidadãos, maior senso de justiça e de dignidade”. Em seguida a essa reflexão do autor, retorno à realidade, e após esse meu momento breve de crendice em abóboras carruagens, lembro que nem um dos pés testados pela educação escolar brasileira, escolhido de entre o populacho, caberia no sapatinho de cristal da elite, pois pés calosos de gatas e gatos borralheiros são por demais calosos para caberem em tais sapatos.

REFERÊNCIAS
BERTONE SOUSA - Mestrado em história.
FRANCIS FUKUYAMA – Cientista Político.

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