GOSTAR DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO PODE SER GENÉTICO
Pode ser por
isto que algumas pessoas amam seus animais e outras não dão a mínima
Em: HYPE SCIENCE.
A
recente popularidade de cachorros, gatos, mini-porcos e outros animais de grife
pode sugerir que ter animais de estimação não é mais do que uma moda. Na
verdade, muitas vezes é dito que os animais de estimação são uma espécie de
presunção ocidental, um estranho resquício dos animais de trabalho mantidos
pelas comunidades do passado.
Segundo o censo dos animais de estimação
feito pelo IBGE em 2013, o Brasil possui cerca de 130 milhões de animais de
estimação, ocupando o 4º lugar no ranking de países com mais pets.
Os animais de estimação custam tempo e
dinheiro, mas durante a crise financeira de 2008, os gastos com animais de
estimação permaneceram quase inalterados, o que sugere que, para a maioria dos
proprietários, os animais de estimação não são um luxo, mas uma parte integral
e profundamente amada da família.
Algumas pessoas são loucas pelos seus
animais de estimação. No entanto, outras simplesmente não estão interessadas
neles. Por que isso acontece?
“É altamente provável que nosso desejo pela
companhia dos animais realmente remonte dezenas de milhares de anos atrás e
tenha desempenhado um papel importante na nossa evolução. Se assim for, a
genética pode ajudar a explicar por que algumas pessoas simplesmente não
conseguem ter amor pelos animais”, diz John Bradshaw, Diretor do Instituto de
Antrozoologia da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e autor do livro The
Animals Among Us (Os animais entre nós, em tradução livre).
Por que temos animais de estimação?
Nos últimos tempos, muita atenção se dedicou
à noção de que manter um cachorro (ou possivelmente um gato) pode beneficiar a
saúde do dono de várias maneiras – reduzir o risco de doença cardíaca, combater
a solidão e aliviar a depressão e os sintomas de depressão e demência.
Segundo Bradshaw, existem dois problemas com
essas afirmações.
“Primeiro, há um número semelhante de estudos
que sugere que os animais de estimação não têm impacto – ou mesmo têm um
ligeiro impacto negativo – na nossa saúde. Em segundo lugar, os donos de
animais de estimação não vivem mais do que aqueles que nunca tiveram a ideia de
ter um animal na casa, o que eles deveriam se as reivindicações fossem
verdadeiras”, aponta.
E, mesmo que fossem reais, diz Bradshaw,
esses benefícios apenas se aplicam às pessoas urbanas e estressadas de hoje,
e não aos seus antepassados caçadores-coletores, por isso não podem ser
considerados como a razão pela qual começamos a manter animais de estimação em
primeiro lugar.
“O desejo de trazer os animais para nossas
casas é tão generalizado que é tentador pensar nisso como uma característica
universal da natureza humana, mas nem todas as sociedades têm uma tradição de
manter animais”, afirma o pesquisador. “Mesmo no Ocidente, há muitas pessoas
que não sentem afinidade particular por animais, sejam animais de estimação ou
não”.
De acordo com Bradshaw, o hábito de ter
animais frequentemente ocorre em famílias: uma vez foi atribuído a crianças que
imitavam o estilo de vida de seus pais quando saíam de casa, mas pesquisas
recentes sugeriram que isso tem uma base genética.
Algumas pessoas, qualquer que seja sua
educação, parecem predispostas a procurar a companhia de animais, outras menos.
“Portanto, os genes que promovem a
manutenção de animais domésticos podem ser únicos para os seres humanos, mas
não são universais, sugerindo que, no passado, algumas sociedades ou indivíduos
– mas não todos – prosperaram devido a um relacionamento instintivo com os
animais”, relaciona.
DNA Pet
O DNA dos animais domesticados de hoje
revela que cada espécie se separou de sua contraparte selvagem entre 15.000 e
5.000 anos atrás, nos últimos períodos paleolítico e neolítico, no mesmo
período em que começamos a criar gado, lembra Bradshaw.
Mas não é fácil ver como isso poderia ter
sido alcançado se aqueles primeiros cães, gatos, gado e porcos fossem tratados
como meras mercadorias, e não como companheiros de trabalho.
Se assim fosse, as tecnologias disponíveis
teriam sido inadequadas para evitar o cruzamento indesejável do gado doméstico
com o selvagem, que nos estágios iniciais teriam acesso imediato uns aos
outros, diluindo sem fim os genes da “mansidão” e, assim, diminuindo muito o
tempo da domesticação – ou mesmo a revertendo. Além disso, os períodos de fome
também incentivariam o abate dos reprodutores, destruindo localmente os genes
“mansos” inteiramente.
Mas, se pelo menos alguns desses animais
domésticos iniciais foram tratados como animais de estimação, a contenção
física dentro das habitações humanas pode ter impedido que machos selvagens
tivessem contato com fêmeas domesticadas. O status social especial, tal qual
oferecido a alguns animais de caça-coletores existentes, teria inibido seu
consumo como alimento.
Mantidos isolados nestas formas, os novos
animais semi-domesticados evoluíram para longe dos caminhos selvagens de seus
antepassados, e se tornaram os animais mansos que conhecemos hoje.
Os mesmos genes que hoje predispõem algumas
pessoas a terem seu primeiro gato ou cachorro se espalharam entre aqueles
primeiros agricultores.
Grupos que incluíam pessoas com empatia e
cuidado em relação aos animais floresceram às custas daqueles sem isso, que
tiveram que continuar a depender da caça para obter carne.
Por que todos não se sentem da mesma
maneira? Provavelmente, diz Bradshaw, porque, em algum momento da história, as
estratégias alternativas de roubar animais domésticos ou escravizar seus
cuidadores humanos tornaram-se viáveis.
Estudos recentes mostram que o carinho em
relação aos animais de estimação está de mãos dadas com a preocupação com o
mundo natural.
Parece que as pessoas podem ser divididas
grosseiramente entre aquelas que sentem pouca afinidade com os animais ou com o
meio ambiente, e aquelas que estão predispostas a se importarem com ambos,
usando a criação de animais como uma saída para o mundo natural na sociedade
urbanizada de hoje.
“Dessa forma, os animais de estimação podem
nos ajudar a nos reconectar com o mundo natural a partir do qual evoluímos”,
acredita Bradshaw.
Disponívelem:< https://hypescience.com/animais-de-estimacao-sociedade/?utm_source=onesignal&utm_medium=push_onesignal&utm_campaign=newpost_onesignal>.
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