QUEM É DE FATO, A CLASSE OPRIMIDA?
Numa visão democrática do suborno coletivo
das massas e da popularização da corrupção, algo há muito denunciado em nosso
país pela classe média, de tão atual que é esta realidade, ela nos fere o
intelecto. São afirmações que demonstram facilmente a falência das pretensões da classe
média que, apesar de articulada, nunca encontrou terreno fértil na democracia
para fincar suas raízes. A elite política, mesmo que tenham membros saídos da
classe média, não vê aí fonte de interesse político que a sensibilize.
A classe média tem sido sempre a grande
derrotada em todos os momentos históricos políticos no Brasil. O que tem
ocorrido porque mesmo se tratando da classe social que concentra cerca de 54%
da população brasileira atualmente, vem demonstrando poucas habilidades
política, e também dispões de parcos recursos disponíveis para gastos em campanhas
eletivas. Assim vem sofrendo derrotas que tem nos ajudado a entender a tristeza e a lógica do derrotado.
Este não sofre pela derrota em si apenas, mas também pela própria incapacidade
de não ter sido eficiente o bastante em corromper a massa, como o foi seu
oponente, a elite política.
A classe média em todos os momentos
históricos eleitorais tem dado o tom ao justificar a própria incapacidade
política. Em alguns momentos atacando as massas. Temos isto claro, por exemplo,
neste texto de um livro de Weffort onde é tratada a eleição presidencial de
1945. “No dia 3 de outubro, no Rio de Janeiro, era meio milhão de miseráveis,
analfabetos, mendigos famintos e andrajosos, espíritos recalcados e justamente
ressentidos, indivíduos tornados pelo abandono, homens boçais, maus e
vingativos, que desceram os morros embalados pelas cantigas da demagogia
berradas de janelas e automóveis, para votar na única esperança que lhes
restava: naquele que se proclamava o pai dos pobres, o messias charlatão...”
Corroborando com as justificativas nas
derrotas, temos este ataque ao modelo de sufrágio pelo voto secreto que
resultou na escolha de Getulio Vargas em 1945, dando provas de ineficácia e apatia política da
classe média. “O voto secreto transfere o suborno do individuo para os grupos,
as classes, os sistemas de interesses” (RUBENS DO AMARAL, 1945).
A novidade do voto secreto foi aí
duramente atacada como é hoje atacada
também, a novidade das urnas
eletrônicas. E igualmente, ataque feito pala mesma classe média.
O que pode ser percebido é que, a classe
média nunca conseguiu encontrar espaço para demarcar território dentro da
democracia. Em alguns momentos buscou refugio nas massas, ameaçando usá-las
contra o sistema vigente. Em outros momentos foi usada ela mesma, pela
burguesia, como intermediária entre esta e as massas. Eficiente, a elite política hora se apóia na burguesia
rica e em condições de financiar campanhas caras; hora se apóia nas massas sem
identidade própria e sem ao menos terem o status de classe social, portanto
sujeitas facilmente de serem manipuladas.
De fora tem ficado, portanto, a classe
média que sempre buscou uma democracia pura aristocrática capaz de satisfazer
as suas pretensões. Porém, por inimiga natural tem as massas, que ao pisar à
porta de saída da miséria, de frente encontra a classe média, primeiro
obstáculo ao seu sucesso, segundo a sua natural forma de encarar a difícil realidade
social em que se acha.
Assim, o que temos visto ao longo da
história política democrática brasileira são políticos que, ou se declaram saídos
de dentro das massas, portanto de origem pobre e capazes de entender de fato as
necessidades do trabalhador de mãos calosas, ou se mostram detentores de poder
e riqueza, e assim, em condições de mitigar o sofrimento do homem pobre.
Intermediária a classe média, não tem conseguido espaço no ideário popular das
massas eleitorais, neste contexto.
FONTE DE CONSULTAS:
Francisco Weffort, O populismo na política brasileira.
FONTE DE CONSULTAS:
Francisco Weffort, O populismo na política brasileira.
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