A CABEÇA BRASILEIRA MAIS À ESQUERDA, VEM MUDANDO?
Estando eu acompanhando nas redes sociais,
amigos que conheço e com quem convivo para além da virtualidade, principalmente
naquilo que se refere ao pensamento político desses amigos. Posso garantir,
muitos deles com perfil nativo de esquerda e não migrado para a esquerda,
percebo que muitos deles se mostram um pouco mais cautelosos quanto a vestirem
de peito aberto a camisa da sua bandeira, que foi em um passado mais distante
sonhada e em um período recente da nossa volta à democracia,
vivenciada e com unhas e dentes defendida.
Tendo por primícia esta constatação, busquei entre
os nomes de expressão nacional com mesma tendência e com relevante poder de
formar opinião, ver se já havia entre eles também, algum com pensamento
semelhante ao dos meus amigos que como eu, habitam o sopé do sistema.
Pude então, nesta busca descobrir uma reportagem
interessante a partir do Blog do Boff editada por Ricardo Noblat em 24/04/2017,
neste sentido, onde ele o Leonardo Boff, nos apresenta a sua opinião
recente com relação a aquilo em que se transformou a esquerda brasileira ao
assumir o poder. Boff se baseia em reportagem internacional a partir de
trabalho realizado pelo importante jornal espanhol El Pais, em publicação
assinada pela jornalista Carla Jiménez. Para O blogger Leonardo
Boff, ““Precisava vir alguém de fora, [...] para nos dizer as verdades que
precisamos ouvir”. A reportagem, dentre outras coisas, sugere que o
governo de esquerda do Brasil na oportunidade que teve de agir em caminho
contrário aos sucessivos governos de direita, utilizou as mesmas técnicas, e
pior, ainda as potencializou no sentido em que, para a reportagem do jornal El
Pais, se embebedou com o poder.
Assim, El Pais na reportagem de Jiménez aconselha que os
envolvidos naquilo que chama de não solidários com o país e, aqueles que vivem
da mesquinharia que alimenta a miséria, que esses devolvam tudo o que do Brasil
retiraram.
Portanto, o texto de Boff na edição de Noblat é reproduzido
abaixo para que possamos entender o que parece começar a se passar nas cabeças
pensantes e de tendência mais à esquerda, do brasileiro formador de opiniões,
acerca da atual esquerda brasileira.
A REPORTAGEM
Leonardo Boff diz que se
enganou ao defender o PT
Creio que a revelação de tais crimes, sua punição, o resgate dos
bilhões de reais ou de dólares roubados e devolvidos aos cofres públicos, nos
deem duras lições
24/04/2017 - 10h00
Ricardo Noblat
Nota postada no seu blog no último dia 18 pelo teólogo Leonardo
Boff, até outro dia defensor do PT, de Lula e de Dilma:
“Precisava vir alguém de fora, de uma jornalista Carla Jiménez do
jornal espanhol El Pais, para nos dizer as verdades que precisamos ouvir.
Seguramente a grande maioria concorda com o conteúdo e os termos desta
catilinária contra corruptos e corruptores que tem caracterizado nos últimos
tempos o Brasil.
Formou-se entre nós, praticamente, uma sociedade de ladrões e de
bandidos que assaltaram o país, deixando milhões de vítimas, gente humilde de
povo, sem saúde, sem escola, sem casa, sem trabalho e sem espaços de encontro e
lazer. E o pior, sem esperança de que esse rumo possa facilmente ser mudado.
Mas tem que mudar e vai mudar. É crime demasiado. Nenhuma
sociedade minimamente humana e honesta pode sobreviver com semelhante câncer
que vai corroendo as forças vitais de um nação. Enganam-se aqueles que eu, pelo
fato de defender as políticas sociais que beneficiaram milhões de excluídos,
realizadas pelos dois governos anteriores, do PT e de seus aliados, tenha
defendido o partido.
A mim não interessa o partido, mas a causa dos empobrecidos que
constituem o eixo fundamental da Teologia da Libertação, a opção pelos
pobres contra a pobreza e pela justiça social, causa essa tão decididamente
assumida pelo Papa Francisco. É isso que conta e por tal causa lutarei a vida
inteira como cristão e cidadão.
Estou convencido de que o Brasil poderá ser quando bem
governado a mesa posta para as fomes e sedes do mundo inteiro. Creio que
a revelação de tais crimes, sua punição, o resgate dos bilhões de reais ou de
dólares roubados e devolvidos aos cofres públicos, nos deem duras lições. Que
todos vigiemos para que nunca se esqueça e nunca mais aconteça”.
Trecho do artigo de Carla Jiménez:
“Lula, por outro lado, mais do que os crimes a que responde, feriu
de golpe a esquerda no Brasil. Ajudou a segregá-la, a estigmatizar suas
bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento do que há de pior
na direita brasileira. Se embebedou com o poder. Arvorou-se da defesa dos
pobres como álibi para deixar tudo correr solto e deixou-se cegar. Martelou o
discurso de ricos contra pobres, mas tinha seu bilionário de estimação. Nada
contra essa amizade. Mas com que moral vai falar com seus eleitores?
Saiam todos, por favor. Vocês são maus exemplos a seguir.
Despertam ojeriza. Dediquem o que resta de suas vidas a entregar tudo, a
detalhar tudo, a terminar de contar o que falta para que o Brasil se estabeleça
como uma sociedade mais sadia, menos tóxica. Nenhum país merece que a riqueza
seja comandada por quem não tem um mínimo de solidariedade com o país e vive da
mesquinharia que alimenta a miséria.”
Artigo de Carla Jiménez sob o título Uma elite amoral e mesquinha se
revela nas delações da Odebrecht.
Como sugestão de leitura
para facilitar o aprofundamento do entendimento sobre o texto acima, indico o
editorial "Uma elite
amoral e mesquinha se revela nas delações da Odebrecht", da jornalista
Carla Jiménez. Publicado no jornal El Pais em 17 de abril de 2017.
"Mas ouvir a voz dos corruptores
e vê-los em vídeo relatando seus crimes por horas a fio é mais doloroso. É como se a própria
mãe estivesse contando que na verdade você é filha do irmão do seu pai, ou de
um ladrão de bancos, ou de um estuprador. O impacto é violento, ainda que você
desconfie que a verdade da sua vida era outra".
Fonte:
Reportagem de Ricardo Noblat.
noblat.oglobo.globo.com/
Carla Jiménez.
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/17/opinion/1492446251_364114.html
Ainda que não haja criminosos que não mereça perdão, existem os crimes hediondos.
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