O QUE
SIGNIFICA A PÁSCOA PARA OS JUDEUS E CRISTÃOS
Roque Oliveira
Teólogo Bíblico
A Páscoa é uma celebração judaica
instituída por Moisés que do ponto de vista dos judeus segue uma ordem direta
do próprio Deus. A Páscoa judaica marca
a celebração do dia em que Deus libertou os israelitas da situação de
escravidão no Egito, em torno de 1513 anos antes de Cristo. A data da Páscoa é
comemorada no dia 14 do mês judaico de abibe, que mais tarde foi chamado nisã. Esta
é considerada a data em que Deus libertou os israelitas da escravidão no Egito.
No entanto, de acordo com Conegero (Estudos Bíblicos), Não é apenas os judeus
quem comemora a Páscoa. Os cristãos também têm sua forma peculiar de comemorar
a data. De acordo com o autor, “[...] para os cristãos o significado da Páscoa está diretamente relacionado à morte e
ressurreição de Cristo.
A primeira Páscoa judaica foi
realizada no mês de Abibe (posteriormente chamado de Nisã). Esse mês “[...] corresponde ao período entre
Março e Abril em nosso calendário” (CONEGERO, ESTUDOS BÍBLICOS). Segundo este
autor, Abibe se tornou o primeiro mês do calendário judaico. No entanto, a data
de comemoração da Páscoa não parece ter sido sempre esta. Afirmam Belmaia; Nascimento;
Selvatice, (2015), citando Ravasi (1985), que “[...] antes de Moisés, a festividade que fora posteriormente
designada "Pêssach judaico", estava sob o pano de fundo de uma
sociedade de base agrícola, regida pela mudança das estações, ciclos lunares,
migrações pastorais, [...]”. O que parece indicar já haver antes da instituição
da Páscoa como marco comemorativo da fuga dos israelitas do Egito, comemoração
semelhante.
A Páscoa está ligada à Festa
dos Pães Asmos e a salvação dos primogênitos hebreus. A solidificação da Páscoa
com relação à festa dos pães ázimos (pães não
fermentados), diz respeito à pressa com que o povo hebraico saiu do Egito, o que
não teria lhes dado tempo da confecção do pão com fermento.
Quanto à origem do seu nome. “A palavra Páscoa significa
“passar por cima”. Tem origem no termo hebraico, pessach, derivado
do verbo passah, “saltar” ou “passar”. Se relaciona com a
décima praga do Egito.
A Bíblia Sagrada no antigo Testamento mostra em Êxodo que, para que os
israelitas tivessem a vida dos seus primogênitos salvas durante a décima praga
que assolou o Egito, Deus instruiu aos israelitas como proceder para que não
fossem também atingidos por tal praga. As instruções vistas em Êxodo
(12:27;13:15), orienta aos israelitas a passarem um pouco do sangue de um cordeiro
ou cabrito nas entradas das suas casas para diferenciá-las das casas dos
egípcios.
Historicamente, entender a Páscoa, inevitavelmente
leva a em torno de 500 anos antes da instituição da própria Páscoa, de acordo
com a tradição judaica. Biblicamente, entender a comemoração pascal remonta à
própria Páscoa e corresponde ao momento em que Deus falou com Abraão acerca do futuro do povo de Israel. Deus avisou de
que os israelitas seriam peregrinos em terra alheia. Que eles os hebreus, seriam
reduzidos à escravidão e oprimidos por 400 anos.
Cabe que seja
ressaltada a participação de José do Egito como principal nome hebreu na
introdução do povo israelita em terras egípcias, de acordo com relatos
bíblicos. José, bisneto de Abraão, foi traído por seus irmãos e vendido
como escravo, tendo sido conduzido para o Egito. “Durante algum tempo os
israelitas viveram com dignidade no Egito. Mas José e toda aquela geração
morreram, e chegou o tempo em que se levantou um faraó que não conheceu José, e
escravizou o povo de Israel” (CONEGERO, ESTUDOS BÍBLICOS). Pelo que é visto na Bíblia, os israelitas
viveram por cerca de quatrocentos anos no Egito. No entanto, “Depois de 400
anos que os israelitas estavam no Egito, Deus levantou Moisés como libertador de seu povo” (CONEGERO, ESTUDOS
BÍBLICOS).
Com relação à Páscoa na época de
Jesus, os Evangelhos trazem várias passagens que relatam a celebração da Páscoa.
No início da igreja cristã, havia uma tendência em deixar clara a diferenciação
entre o judaísmo e a nova religião baseada no Cristo. Assim, a própria
comemoração da Páscoa para o cristianismo era algo a ser construído com nova
roupagem.
Na época de Jesus, em Jerusalém,
a tradição do sacrifício do cordeiro era realizada na área do Templo. O sangue
era lançado por um sacerdote sobre o altar. A refeição pascal podia ser comida
em qualquer casa da cidade. Era comum os judeus se reunirem em grupos, assim
como o grupo de Jesus e seus discípulos que se reuniu no Cenáculo, formando assim, um tipo de unidade familiar.
A importância da Páscoa, então,
ia muito além da relevância religiosa. “Por ocasião da Páscoa, acredita-se que
entre 60 e até 180 mil judeus compareciam a Jerusalém” (CONGENERO, ESTUDOS
BÍBLICOS). A maioria desses visitantes era formada por judeus da Diáspora. Eram
judeus da Diáspora aqueles que viviam fora da Palestina. Os gentios não podiam
participar da Páscoa, porém os prosélitos que aceitassem satisfazer as
condições exigidas para tal celebração podiam participar dela. Gentios eram
pessoas não judias e prosélitos, pessoas convertidas, porém sem os mesmos
direitos religiosos dos judeus.
A comemoração da Páscoa em
Jerusalém por algum tempo teve sua realização restringida. Em consequência da
queda de Jerusalém e com a destruição do Templo em 70 d.C., a Páscoa judaica
passou a ser uma celebração intima e familiar.
O significado da Páscoa para os
cristãos tem forte tradição no profeta Isaias. A imagem do cordeiro da Páscoa
sacrificado, em Isaias tem analogia com o sacrifício bíblico do Cristo (O
Messias). “O profeta Isaías profetizou acerca do Messias, dizendo que como um
cordeiro ele foi levado ao matadouro (Isaías 53:7)” (CONEGERO).
Para os cristãos, a última Páscoa de
Jesus Cristo deu lugar à primeira Ceia do Senhor. Ou seja, a Páscoa passou a
ser a Ceia do Senhor. Para Conegero, “Também é interessante notarmos que a
Páscoa apontava para o futuro, para frente, era o símbolo do que haveria de
vir. Já a Ceia do Senhor aponta para o passado, para trás, como símbolo da
promessa que se cumpriu”. Continua o autor afirmando em relação à comemoração
da Páscoa e o seu significado para os cristãos, que, “Celebrar a Páscoa judaica
é celebrar aquilo que era temporário, é voltar ao que é inferior. [...] Cristo
é a nossa Páscoa perfeita”.
O apóstolo Paulo escreveu que Cristo é o “nosso Cordeiro pascal” que
foi sacrificado (1 CORÍNTIOS 5:7). A partir desta afirmação, os cristãos não
celebram a Páscoa uma vez por ano entre os meses de Março e Abril, mas se reúnem
para celebrar a Ceia do Senhor. Este ato é realizado durante o ano todo. E é
feito em memória do sacrifício de Jesus Cristo no Calvário, conforme os cristãos.
Existem ao menos mais de uma versão
acerca da comemoração da Páscoa. Claramente existe uma versão vista pelos
judeus e outra vista pelos cristãos, e que, elas são antagônicas em suas
finalidades religiosas.
BELMAIA,
Nathany A W; NASCIMENTO, Kettully F. da Silva; SELVATICI, Monica. Do judaísmo
ao cristianismo: fundamento da Páscoa e relação estrutural na longa duração:
XXVIII Simpósio nacional de história, 2015.
Disponível em:<http://www.snh2015.anpuh.org/resources/anais/39/1427444872_ARQUIVO_trabalhoanpuh.pdf>.
Acesso em: 21 jan. 2016.
ESTILO E
ORAÇÃO. Qual o significado da páscoa: Ensinos Bíblicos.
Acesso em: 28
jan. 2016.
FILEMON ESCOLA
SUPERIOR DE TEOLOGIA. História dos Hebreus: Uberaba: FEST, 2010.
VALADÃO,
Márcio. O verdadeiro significado da páscoa: Igreja batista da Lagoinha, 1ª
Edição, setembro de 2013.
Não cometemos erros apenas por desconhecimentos, mas, em muitas das vezes, por não nos esforçarmos em conhecer.
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