CONTRIBUINDO COM A SUA EDUCAÇÃO POLÍTICA, HOJE
Às portas das
eleições dos 13 candidatos à Presidência da República, apenas três apresentaram medidas visando a redução do uso de agrotóxicos
É o que podemos
ver de acordo com o editorial de Pragmatismo político de 20 de setembro de
2018.
É de grande importância
que se leia este que é apenas um dos muitos olhares que devemos esperar dos
candidatos que pretendem governar o Brasil. O olhar voltado para a produção
agropecuária dos candidatos a presidência.
O Editorial na
íntegra:
Dos 13 candidatos à Presidência da República nas eleições de 2018,
apenas 3 apresentaram no programa oficial de governo medidas específicas que
preveem a redução do uso de agrotóxicos. Por outro lado, o agronegócio é
prioridade para sete candidatos
Às portas das
eleições dos 13 candidatos à Presidência da República, apenas três apresentaram medidas visando a redução do uso de agrotóxicos
É o que podemos
ver de acordo com o editorial de Pragmatismo político de 20 de setembro de
2018.
É de grande importância
que se leia este que é apenas um dos muitos olhares que devemos esperar dos
candidatos que pretendem governar o Brasil. O olhar voltado para a produção
agropecuária dos candidatos a presidência.
O Editorial na
íntegra:
Dos 13 candidatos à Presidência da República nas eleições de 2018,
apenas 3 apresentaram no programa oficial de governo medidas específicas que
preveem a redução do uso de agrotóxicos. Por outro lado, o agronegócio é
prioridade para sete candidatos
Demanda da sociedade brasileira, a redução gradativa do uso
de agrotóxicos até
o seu banimento no país está fora dos planos da maioria dos candidatos à
Presidência da República.
Dos 13 presidenciáveis, Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSol) e Marina Silva (Rede) pretendem adotar medidas nesse
sentido. Já Ciro Gomes (PDT) propõe a utilização de “defensivos agrícolas
específicos para as nossas culturas e problemas, de menor conteúdo tóxico para
pessoas e o meio ambiente, e incentivo à adoção de sistemas de controle
alternativos na agricultura, prática essa que se constitui em uma tendência
mundial”.
Os demais sequer têm o termo agrotóxico ou similares em
seus programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo especialistas, não existem
agrotóxicos menos tóxicos. Todos são nocivos à saúde e ao meio ambiente.
O fato de o Brasil liderar o ranking mundial do consumo de
herbicidas, fungicidas e inseticidas nas lavouras – o equivalente a 6,1 quilos
de venenos por hectare plantado, mais que o dobro dos 2,6 quilos consumidos
nos Estados Unidos –,
e de que muitos dos que são usados aqui são causadores de câncer e malformações
fetais, entre outros problemas graves, daí a proibição em outros países, é
levado em conta por alguns dos candidatos.
Para mudar a situação, Haddad pretende instituir um
programa de redução de agrotóxicos, com medidas específicas e imediatas, entre
as quais destacam-se o estímulo aos biopesticidas e a atualização da legislação
nacional às recentes recomendações do Fundo das Nações Unidas para Alimentação
e Agricultura (FAO), que são mais restritivas.
O programa fala ainda em rever os incentivos fiscais e
tributários existentes para os insumos químicos proibidos em outras partes do
mundo, em fortalecer a avaliação e a fiscalização periódica, pela Anvisa, dos
agrotóxicos autorizados no país, e em banir também os produtos que já estão
proibidos nos países que são parceiros comerciais do Brasil.
O compromisso ainda inclui a retomada e ampliação da
política nacional de segurança alimentar e nutricional, articulada com a
promoção da agricultura familiar em bases agroecológicas. Ou seja, produzir
alimentos livres de transgênicos, agrotóxicos e outros agroquímicos em uma
perspectiva ambiental, social, cultural e economicamente sustentável, próximo
ao mercado consumidor.
A ideia é baratear o custo para que toda a população tenha
acesso a uma alimentação mais saudável, assim como aqueles que podem pagar mais
pelos orgânicos hoje restritos às poucas feiras e supermercados, a preços mais
altos.
Transição
O candidato do Psol, Guilherme Boulos, propõe a transição
do atual modelo de produção agrícola, baseada no uso de agroquímicos, para a
agroecologia. E também o controle sobre a avanço das lavouras transgênicas, que
já dominam o cultivo de soja, milho e algodão no Brasil em extensas áreas de
monocultivo.
Para isso, defende a luta contra o processo de “oligopolização
da agricultura“, em que as empresas Syngenta, Bayer, Basf, Monsanto e
Dupont “definem o que comemos“, já que controlam 60% do mercado mundial
de sementes e de agrotóxicos no mundo, com sérias consequências ao meio
ambiente.
O programa fala também em revogar todas as medidas tomadas
pelos governos anteriores, que autorizam ou facilitam a utilização de
agrotóxicos e em debater com a sociedade a construção de uma base para o
rigoroso controle e regulação do setor, que fez do Brasil o maior consumidor
mundial de herbicidas, inseticidas e fungicidas, entre outros.
No documento, a candidatura destaca que nos últimos 15 anos
o consumo cresceu 284%, o que se deve também ao crescente uso de sementes
geneticamente modificadas resistentes aos herbicidas, como o glifosato.
Sem detalhamento, o plano de governo de Marina Silva –
ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula, cuja trajetória política foi
construída na defesa da natureza – fala em alimentação saudável, redução do uso
de agrotóxicos e apoio à agroecologia.
E destaca apoio ao Projeto de Lei 6.670/2016, que cria a
Política Nacional de Redução de Agrotóxicos. “Apoiaremos a aprovação do
projeto de lei da Política de Redução de Agrotóxicos, de iniciativa Associação
Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)“.
Agricultura
familiar
O apoio à agricultura familiar consta apenas dos programas
do PT, PSol, Rede e PPL, que tem como candidato à Presidência João Goulart
Filho, e, de maneira implícita, da candidata Vera Lúcia (PSTU). Em seu
documento, a legenda menciona o campo brasileiro dominado pelo agronegócio, por
sua vez controlado por um pequeno número de grandes empresas e do capital
financeiro internacional.
“Defendemos a nacionalização e estatização do grande
latifúndio e do chamado agronegócio sob o controle dos trabalhadores para que
definam a sua produção, de acordo com as necessidades do povo e em harmonia com
o meio ambiente“.
Haddad propõe prioridade à produção de alimentos saudáveis
no âmbito da agricultura familiar como forma de geração de emprego e renda no
campo e abastecimento com qualidade nutricional na cidade; a ampliação da
oferta de serviços nas pequenas cidades do interior para evitar a evasão da
população do campo para os centros urbanos em busca dos direitos à educação, ao
trabalho, à saúde e à cultura; e a democratização do acesso à propriedade da
terra, com políticas de reforma agrária, incentivos à agroindústria, ao
escoamento da produção, assistência técnica rural, armazenamento e
comercialização dos produtos camponeses, ampliação do crédito e da economia
solidária, com cooperativas e associações.
Para isso, pretende atualizar e ampliar o Programa de
Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar
(Pnae), além de reorientar a atuação da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), para a compra de alimentos da agricultura familiar e implementar um
plano nacional de desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais
de matriz africana, interditado pelo governo de Michel Temer.
Reforma
agrária
O termo reforma agrária aparece dez vezes no programa de
Fernando Haddad, onze no de Guilherme Boulos, oito no de João Goulart Filho e
uma no plano de Vera Lúcia. Ciro, que tem como vice na
chapa a empresária, pecuarista e ex-dirigente da Confederação Nacional da
Agricultura Kátia Abreu (PDT-TO), Marina Silva e os demais não
mencionam nenhuma vez.
Dedicando mais espaço ao tema, o plano do candidato do Psol
é uma reforma agrária popular e agroecológica, com democracia e justiça no
acesso à terra, em contraposição ao agronegócio, que só gera concentração de
renda, desemprego, pobreza e envenenamento da terra e da água.
Para a candidatura, o modelo defendido proporciona o
trabalho familiar, renda e sustento. Além disso, é a solução para os problemas
sociais, como disputas agrárias envolvendo assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e
de outros movimentos populares, além de comunidades quilombolas e povos
indígenas, pescadores e ribeirinhos. E ambientais, já que essas populações são
o melhor exemplo de como a natureza deve ser tratada.
O programa do PSTU defende a partilha de parte do
latifúndio para garantir terra aos camponesas sem-terra que a reivindicam,
assim como todas as condições de produção e comercialização de seus produtos,
com acesso a crédito barato ao pequeno proprietário e apoio técnico. “Seria
possível assim garantir alimentos baratos à população“, diz o documento.
Respeitando a Constituição e outras leis, Boulos pretende
desapropriar as terras que não cumprem a função social, ambiental e que tenham
débitos com o poder público, especialmente as grandes propriedades, vinculadas
ao capital estrangeiro. As terras desapropriadas serão destinadas ao programa
de reforma agrária popular, no qual o Incra deverá trabalhar em conjunto com os
institutos de terra dos governos estaduais, com as prefeituras e movimentos
populares.
O candidato pretende ainda retomar e realizar as metas e
objetivos do II Plano Nacional de Reforma
Agrária (2003), com regularização fundiária massiva para diferentes
setores da agricultura popular e assentamento de, no mínimo, um milhão de novas
famílias sem terra, assentados, pequenos agricultores, agricultores familiares,
indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. E construir uma rede
nacional de cooperação entre esses setores da agricultura que são responsáveis
pela produção e comercialização de alimentos, com investimentos em
infraestrutura e industrialização no campo.
Articulando reforma agrária com estímulo à agricultura
familiar, Boulos promete estimular a agricultura familiar e todos os serviços
necessários para essa população, especialmente a educação no campo em todas as
suas experiências e níveis.
Filho do ex-presidente Jango (1918-1976), que
decretou a primeira e única política de reforma agrária no país, interrompida
pelo golpe de 1964, o candidato João Goulart Filho também se compromete com a
democratização no acesso à propriedade da terra nos mesmos moldes propostos por
Boulos. Propõe a taxação progressiva da propriedade rural, levando em
consideração o tamanho, independente da produção, e promete assentar, nos seis
primeiros meses de governo, todas as 130 mil famílias de sem-terra acampadas,
de um total de 400 mil que serão assentadas no primeiro ano.
Promete promover a produção e o aumento da produtividade de
alimentos na pequena e média unidade rural para o mercado interno, com a
garantia de preços rentáveis para o agricultor, compra antecipada de toda
produção de alimentos dos pequenos produtores, crédito rural suficiente e
subsidiado, seguro rural, assistência tecnológica, armazenagem, apoio ao acesso
a máquinas, equipamentos e insumos.
Outra proposta de Goulart Filho com impacto direto no
agronegócio é a revogação da Lei Kandir, que isenta de ICMS produtos e serviços
destinados à exportação, bem como a isenção da contribuição previdenciária para
o agronegócio. E a cobrança, de forma progressiva, de imposto de exportação
sobre produtos agropecuários.
Defesa
do agronegócio
Despreocupados com a produção de alimentos saudáveis para
toda a população, com a agricultura familiar e muito menos
com a reforma agrária, alguns candidatos estão comprometidos com o desenvolvimento
do agronegócio. É o caso de Alvaro Dias (Pode), Cabo Daciolo (Patriotas),
Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro
(PSL) e João Amoêdo (Novo).
“A liderança do Brasil na agricultura será reforçada
pela transformação do Plano Safra em um plano plurianual para dar
previsibilidade às regras da política agrícola, pela garantia da paz e da
segurança jurídica no campo e pela consolidação dos programas de seguro
agrícola e rural“, destaca o candidato tucano.
Alckmin tem como vice a
senadora licenciada Ana Amélia Lemos (PP-RS). Integrante da bancada
ruralista, foi agraciada com o prêmio Líder do Agronegócio Brasileiro 2018. À
vontade com bandeiras do lobby armamentista, é aliada do Armas pela Vida, que
defende a posse de armas no meio rural para solucionar questões agrárias em
favor dos latifundiários.
O banqueiro Meirelles promete que financiamento, inovação,
expansão dos projetos de pequenos irrigantes e melhoria da infraestrutura serão
prioridades para que os agricultores sigam ampliando a produtividade. “Outras
medidas de apoio estão previstas, como o reforço da segurança no campo e a
expansão da telefonia celular, graças ao satélite geoestacionário do Brasil“,
conforme seu plano registrado no TSE.
O também banqueiro Amoedo é mais explícito: “A garantia
da propriedade privada e da segurança no campo para que o agronegócio tenha
todas as condições jurídicas e estruturais para tirar o máximo de seu
inigualável potencial“.
Em um plano de governo minguado, Alvaro Dias dedica um
tópico ao “Planeta Agro“: Quer elevar a produção em 30% até 2022, com
300 milhões de toneladas de grãos, cereais e leguminosas. Tudo isso com “segurança
no campo, com reintegração de posse sumária, seguro rural e armazenagem, defesa
animal e vegetal, projeto ferrovias“.
Ferrovias, aliás, e hidrovias, “que trarão melhorias ao
setor agropecuário“, são prometidas por Daciolo em seu Plano de Nação para
a Colônia Brasileira.
A proposta de Eymael é valorizar o agronegócio e apoiá-lo
com ações de governo específicas, “valorizando e apoiando ao mesmo tempo os
pequenos e médios produtores rurais“.
Defensor de “armas para todos“, Bolsonaro propõe
segurança no campo e “solução para a questão agrária” em um pacote que
inclui logística de transporte e armazenamento, políticas específicas para
consolidar e abrir novos mercados externos e “uma só porta para atender as
demandas do agro e do setor rural“.
Seu projeto prevê uma nova estrutura federal agropecuária,
que concentra no Ministério da Agricultura a política e economia agrícola,
recursos naturais e meio ambiente rural, defesa agropecuária, segurança
alimentar, pesca e piscicultura, desenvolvimento rural sustentável e inovação
tecnológica. Em entrevistas, como esta ao canal Terra Viva, ele garante que, se
for eleito, colocará na pasta representante do agronegócio. Assim, a segurança
no campo soa como excelente notícia para os ruralistas.
Na análise do integrante dos fóruns baiano e nacional de
combate aos impactos dos agrotóxicos e transgênicos, o agrônomo Ruy Muricy, as
propostas refletem a luta de classes por trás da disputa.
“A luta contra os agrotóxicos ou a redução do seu uso
tem origem nos movimentos ambientalistas e foi paulatinamente sendo incorporada
pelos partidos de esquerda e movimentos sociais do campo. Com o advento dos
verdes no parlamento tal bandeira também foi incorporada à pauta ambiental“,
afirma. “Não é de estranhar que apenas a candidatura de cunho ambientalista
e aquelas de esquerda tenham um enfrentamento na questão do Brasil figurar no
cenário mundial como o maior consumidor de venenos agrícolas.”
Repensar o modelo agrário e agrícola do país, conforme
Muricy, não é portanto tarefa para os partidos à direita. “O agronegócio
baseado em monocultivos para exportação é ‘por natureza’, desculpem o
trocadilho, indutor de desequilíbrios ambientais que criam um ciclo vicioso de
necessidade de doses crescentes de venenos. Acrescente-se fertilizantes
químicos, tratores, implementos e aviões que derramam chuva de agrotóxicos e a
isso chama-se ‘mercado’.”
“O outro lado da moeda é a agricultura camponesa ou
familiar, que encontrou o caminho da agroecologia – o diálogo com a natureza,
com romantismo, mas também ciência, e chama-se ‘riqueza’ distributiva. A velha
luta de classes, mas com uma variável que significa a própria sobrevivência do
planeta e por extensão da odisseia humana. Mas, quem está mesmo se importando
com questões tão filosóficas e existenciais diante do convencimento do
eleitorado pra depositar seu voto na urna?”
Diante deste quadro, o que pensar?
Em um país com dimensões continentais como o Brasil, governar a nação é muito mais que apenas pensar na pátria como sendo berço de alguns. Milhões de nós brasileiros vivemos no campo e nele trabalhamos. Todos nós dependemos do campo e de certa forma, vivendo no campo ou na cidade somos responsáveis pela produção agropecuária, quando produzimos ou quando consumimos. Além, a produção do campo é responsável por importante parcela das nossas exportações.
Assim, qualquer mudança no modo produtivo do campo precisa ser analisada com cuidado e responsabilidade tendo em vista principalmente, a segurança da saúde da população, bem como, a garantia de emprego e renda dos envolvidos na produção.
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