SOCIOLOGICA CIVILIZATÓRIA E INSTRUCIONAL:
DESAFIOS
E CONCEPÇÃO
Ao ser tratado acerca da importância que
tem uma metodologia que ensine Sociologia sob aspectos civilizatório e
instrucional, é interessante antes de tudo, termos uma definição sobre esta
ciência de uma forma que mais se aproxime da realidade da sociedade que cerque
o sujeito que dela poderá se beneficiar. Em Martins (2000) é visto que para ele
“[...] a sociologia é o resultado de uma tentativa de compreensão de situações
sociais radicalmente novas, criadas pela [...] sociedade capitalista” (p. 7).
Afirma ainda, Martins (2000) que, “A
sociologia constitui um projeto intelectual tenso e contraditório. Para alguns
ela representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, [...]”
(p.7).
Porém, mesmo que a Sociologia abrigue em si
conceitos conflitantes, o que não resta dúvidas, de fato, é que esta ciência
tem percorrido um caminho de constantes buscas por estabelecer diálogo com a
civilização capitalista desde o início da sua formação.
Uma educação sociológica civilizatória e
instrucional define-se por estar voltada à formação de um cidadão consciente de
que o trabalho é uma dimensão importante para a sua realização integral ao
mesmo tempo em que o conscientize a não se deixar subordinar ao mundo da
economia como sendo uma mercadoria. Essa sociologia estará voltada para
fornecer condições de competitividade ao sujeito no mundo do trabalho, e ao
mesmo tempo manter a noção de pertencimento social. A este respeito, Gesteira
(2016) afirma que “[...] a educação pode oferecer, a ideologia neoliberal
também se apresenta na produção de um trabalhador competitivo e com pouca noção
de pertencimento social” (p. 49). Assim, uma Sociologia civilizatória e
instrucional deve provocar mudanças nas cadeias de interdependência do sujeito
com o trabalho, onde sejam mantidas as relações sociais e, fornecendo
ferramentas para que o cidadão possa quebrar o modelo de formação de mão de
obra como mercadoria.
No que diz respeito a um método de ensino de
sociologia baseado em aspectos civilizatórios e instrucionais, o professor deve
desenvolvê-lo estando atento aos avanços nas áreas tecnológicas e da informação
para que assim, possa buscar contextualizar os conteúdos dados com o
meio social em que viva o aluno, tendo por meta a formação de um cidadão pleno e
em condições de participar da sociedade de maneira critica e profissional.
Assim,
um método que abranja aspectos, civilizatório e instrumental não pode se tratar
de algo que apenas apresente ao alunado conteúdos de sociologia com
questionamentos a serem solucionados. O ensino de sociologia com bases
civilizatórias e instrucionais necessita de um trabalho feito em grupo a partir
de conteúdos que possam possibilitar ao alunado discutir a sua atuação na
sociedade e no mercado de trabalho à luz daquilo que a escola possa entregar
como sendo importante para a sua integração social e profissional.
Por essa perspectiva, Leal; Yung afirma que:
A escola, nesse sentido, é o espaço onde se ensina
acerca da integração funcional à sociedade e onde se dão, ao mesmo tempo, as
condições cognitivas para operações críticas sobre o mundo social informadas
pelo contato com o conhecimento acadêmico e pela experiência social de cada
estudante (2014, p. 773).
Assim, deve ser entendido que
o alunado, para conseguir propor soluções a questões relacionadas à sua atuação
na sociedade, tanto no campo critico quanto profissional, necessitará de
procedimentos novos como a discussão do tema proposto com os colegas sobre
possíveis outras hipóteses que apresente soluções viáveis.
No que diz respeito à necessidade de serem buscadas variadas
metodologias para tornar possível o ensino, principalmente da sociologia
voltada para a sociedade moderna e suas tendências laborais, pode ser tomada,
por exemplo, Pozo quando ele afirma que:
A nova cultura da aprendizagem, própria das modernas sociedades
industriais [...] se define por uma educação generalizada e uma formação
permanente e massiva, por uma saturação informativa produzido pelos novos
sistemas de produção, comunicação e conservação da informação, e por um
conhecimento descentralizado e diversificado (2008, p. 30).
A importância de se buscar diversificadas metodologias para o ensino de
sociologia atende, portanto, a esta necessidade da permanente formação do
cidadão voltada para uma sociedade plural.
A
razão pela qual o estudo da sociologia no ensino regular alcança sua
importância tem que ver exatamente com a existência da realidade de uma
sociedade plural por um lado, e a realidade do cidadão que a integra, por outro
lado.
Entre o sujeito e a realidade que o cerca, parece haver um grande espaço que os
separa, para o qual é necessário ser construído um elo com a finalidade de dar
sentido a sua existência. Por esta perspectiva, Leal; Yung explica:
Quando nos remetemos à seara do ensino das
ciências sociais nas escolas, deparamo-nos justamente com uma disciplina obrigatória
no ensino médio em vários países – incluindo o Brasil –, para a qual foi
atribuída o papel de fazer a “ponte” entre sujeito e realidade, indivíduo e
sociedade, passando pela formação do aluno enquanto cidadão (p. 773).
Assim, parece ficar claro que um método
eficaz neste sentido, deve considerar que para a existência da vida em
sociedade de forma coesa há a necessidade de uma socialização que busque unir a
sociedade à realidade do cidadão.
No entanto, existem desafios a serem
superados para que um ensino de sociologia emancipatório, de fato, seja
efetivado. Dentre esses desafios é encontrado, por exemplo, o tempo de duração
das aulas que é mínimo. O que não o tempo necessário para a discussão do tema
proposto. A sociologia é sem dúvidas uma disciplina que
necessita de mais tempo para discussão de temas e conceitos e para que seja
estabelecida uma melhor e maior relação entre professores e alunos. A este
respeito Vargas é enfático ao afirmar que:
Uma terceira característica marcante do ensino
da sociologia é sua fragmentação disciplinar. Com uma baixa carga horária, [...].
O tratamento desses conhecimentos exige, ao contrário, um processo lento e
gradual de problematização da realidade concreta [...] (VARGAS 2011, p. 6).
O baixo tempo dedicado para a disciplina Sociologia
na grade escolar dificulta o estabelecimento de maior contato do professor com
o aluno e, deste com a disciplina.
Para além da importância da utilização de uma
metodologia voltada para o ensino de sociologia sob aspectos civilizatórios e
instrucionais, também é necessário que essa metodologia esteja contida no
Projeto Político-Pedagógico da escola. Para Veiga, a construção do PPP “[...]
deve ser entendido como a própria organização do trabalho pedagógico da escola
como um todo” (1988, p. 11).
Apenas
sendo constante do PPP da escola é que a metodologia de ensino de sociologia
por meios que favoreça a propósitos civilizatórios e instrucionais voltado para
o pleno desenvolvimento do cidadão poderá ser um recurso didático aplicável
pelos professores da disciplina ao alunado.
Quanto as concepção de uma sociologia
civilizatória e instrucional, por um lado deve ter por base uma concepção que
leve a uma meta formadora de um sujeito que entenda a necessidade de uma
sociedade coesa em termos de crenças e valores. Uma sociedade moldada em uma
moral coletiva. Neste sentido, se ocorrer o contrário, vemos em A Sociologia da
Educação (2013) da UFSM citando Durkheim que “[...] a solidariedade orgânica
provocaria a desintegração da sociedade, provocaria o que Durkheim chamou de
anomia, isto é, a ausência de regras, o caos” (p. 12).
E por outro lado, uma sociologia que
instrumentalize o sujeito para o trabalho deve compreender que tudo existente
na sociedade é fruto do trabalho, mas não compreendido meramente como trabalho
efetivo e com as relações de emprego. O que é visto na concepção de trabalho
por Marx, de acordo com Fernandes (2020).
Acrescentando, Fernandes (2020), quanto ao
que é o trabalho concebido por Marx diz que, “[...], o autor distingue [...]
duas categorias: trabalho concreto enquanto insuprimível [...] e o trabalho
abstrato, forma particular que assume no modo de produção capitalista” (p.
106).
Por essa perspectiva o ensino de Sociologia
precisa instrumentalizar o cidadão quanto a ter uma visão critica acerca do
real valor do trabalho.
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